Sentidos aguçados, corpo dolorido,
partilho com a noite meus segredos…
Tudo fala aos meus sentidos…
Sapos, rãs, corujas, grilos… E o mar…
Impossível deixar de ouvi-lo!
No ir e vir das ondas…
o ritmo descompassado,
o chiar da areia, – percussão…
no arrastado som da mágoa,
traduzido em grãos, água…
e uns dedos longos e magros
a dançar, insones, sobre o teclado…
Mergulho na beleza… no mistério
da ruidosa calmaria da noite.
O silêncio
silêncio
não é da natureza da natureza…
A noite avança…
e esse silêncio eloquente e lindo
desperta em mim outros sons,
outras vozes,
outras noites não dormidas,
queridas… vorazes…
Quando mais tarde, – tudo mais quieto -,
d esperto, o galo canta enciumado,
mais claro e forte o som que vem das ondas
espanta intrusos de última hora…
Só a aurora abranda-lhe a voz rouca,
agora estranhos mantras de ninar,
a distrair a luz que já vem vindo
pra revelar, da emoção, as cores,
e acordar o que estava dormindo…
ju rigoni (Barra de Maricá/1999)
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