domingo
Hiatus
Bruxa e fada;
caldeirão e canetinha de condão...
No feitiço da noite
o desmaio da madrugada
a recobrar os sentidos da aurora -
poção, encanto, -
magia...
Encontro da luz
com a palavra...
ju rigoni (2003)
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Balela
.
Vivi muitos amanhãs.
Todos me vieram
com a mesma cara...
Se todo amanhã
um dia foi hoje
e todo hoje
há de ser ontem
nada mais espero...
ju rigoni (1989)
Vivi muitos amanhãs.
Todos me vieram
com a mesma cara...
Se todo amanhã
um dia foi hoje
e todo hoje
há de ser ontem
nada mais espero...
ju rigoni (1989)
Tomada
.
Nariz espremido
contra o vidro da janela;
olhos parados,
pregados na luz dos azuis
da linha do horizonte...
Imune ao chamado
belo e silente,
sucumbia à tempestade
que armava-se em sua mente...
ju rigoni (2001)
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Nariz espremido
contra o vidro da janela;
olhos parados,
pregados na luz dos azuis
da linha do horizonte...
Imune ao chamado
belo e silente,
sucumbia à tempestade
que armava-se em sua mente...
ju rigoni (2001)
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?...
Procuro em todos os cantos...
Na cozinha, na sala,
no quarto, - debaixo da cama,
dentro dos armários,
no antigo amarrado de cartas -,
em meio aos livros preferidos
e aos tantos escritos
que se espalham pela casa...
Olho demoradamente ao espelho,
bato no peito,
estapeio o rosto,
belisco-me,
e olho de novo...
Nada!
Respiro profundamente
e volto a me perguntar:
Onde?...
Onde você está?
ju rigoni (2004)
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Lição Primeira
Não. Não havia crianças
nas casas vizinhas.
Cuidava de ouvir,
falar,
brincar,
com amigos que só ela via.
Todos eles tinham um nome
que não se sabe de onde surgia.
Todos lhe contavam histórias
que ela reproduzia.
Nem pai nem mãe, -
ninguém compreendia...
Como podia ser tão feliz....
De onde vinha tanta alegria?
Nunca souberam entender
a linguagem dos passarinhos!....
Quem pode ser bem-te-vi
tendo olhos de quero-quero?...
O tempo passando...
A menina a crescer crescendo...
Aprendendo a ser...
Sendo,
nunca esteve sozinha.
ju rigoni (1999)
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Na ressaca
.
Não se conhece um indivíduo
pela sua poesia,
ainda que a mais bela.
Talvez sejam uvas pisadas
em busca do buquê que inebria, -
de um líquido que entorpeça!...
Ou, quem sabe, vinagre...
temperando a carne
que, ainda,
em dúvidas se consome...
ju rigoni (1997)
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Não se conhece um indivíduo
pela sua poesia,
ainda que a mais bela.
Talvez sejam uvas pisadas
em busca do buquê que inebria, -
de um líquido que entorpeça!...
Ou, quem sabe, vinagre...
temperando a carne
que, ainda,
em dúvidas se consome...
ju rigoni (1997)
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Maldição
Dias longos, loongos...
Os ponteiros do relógio não saem do lugar...
Lá fora, nubla, chove, faz sol;
o tempo passa sem passar...
A espera imobiliza,
não deixa pensar, -
fazer outra coisa
além de esperar...
Impossível dormir... Sonhar...
Ser livre!
Não há remédio
que não seja esperar
quando o que se espera
é que a espera finde...
ju rigoni (1998)
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Tresnoitando...
Sentidos aguçados, corpo dolorido,
partilho com a noite meus segredos…
Tudo fala aos meus sentidos…
Sapos, rãs, corujas, grilos… E o mar…
Impossível deixar de ouvi-lo!
No ir e vir das ondas…
o ritmo descompassado,
o chiar da areia, – percussão…
no arrastado som da mágoa,
traduzido em grãos, água…
e uns dedos longos e magros
a dançar, insones, sobre o teclado…
Mergulho na beleza… no mistério
da ruidosa calmaria da noite.
O silêncio silêncio
não é da natureza da natureza…
A noite avança…
e esse silêncio eloquente e lindo
desperta em mim outros sons,
outras vozes,
outras noites não dormidas,
queridas… vorazes…
Quando mais tarde, – tudo mais quieto -,
d esperto, o galo canta enciumado,
mais claro e forte o som que vem das ondas
espanta intrusos de última hora…
Só a aurora abranda-lhe a voz rouca,
agora estranhos mantras de ninar,
a distrair a luz que já vem vindo
pra revelar, da emoção, as cores,
e acordar o que estava dormindo…
ju rigoni (Barra de Maricá/1999)
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Tim-Tim
Sacar a rolha;
aspirar o bouquet possível...
De olho no futuro,
saborear no presente
alguma pretérita delícia...
Adivinhar
sem avinagrar-se.
(Ainda que as taças
contenham o mesmo vinho,
são diversos os paladares...)
ju rigoni (2000)
Aos amigos e visitantes, saúde e muitas alegrias em 2011.
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sábado
Uma Resposta
Procuro no que eu digo
abrigo para o meu sentimento.
Meu tempo pode não ser o seu...
Mas o que é o tempo
quando tenho diante de mim
a folha em branco, a caneta,
e esta irresistível sensação de poder?...
- Silêncio!
Quero ouvir o que você não ousa dizer.
Ouvir-lhe o coração.
Preciso olhar em seus olhos
e encontrar o que desejo:
a sua alma.
Quero-a substantivo,
concreta e minha,
muito minha,
só minha.
Preciso tocá-la,
apossar-me dela,
servi-la com adjetivos, metáforas...
Transformá-la em palavras.
Porque sei o que você busca.
Meus sentimentos são quartos desarrumados
que, às vezes, encontro organizados
não na minha
mas na palavra do outro.
Se isso é poesia
não escrevo poemas,
mas, sim,...
sou poeta.
ju rigoni (2002)
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