sábado

As Outras

.
.
Eram tantas...
Com o avançar dos anos
algumas morreram;
e as que sobreviveram
ao tempo e seu passar
logo estarão de partida...
Não se assemelham em nada
com as recém-nascidas...

Olho-me ao espelho
e me pergunto:
Até quando?
Quem ainda virá?...

ju rigoni (2000)

Aos Amigos e Visitantes

Boas Festas e Feliz 2012!

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domingo

Flagelo

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Não se quebra uma pedra
com as mãos nuas...
Pedras...
com pedras
hão de se quebrar?...

Pergunto-me:...
devo quebrá-las?
Talvez, quem sabe,
amontoá-las e umedecê-las,
- vesti-las de musgo,
torná-las escorregadias...

Ou esculpi-las com água
como ensina a mãe-natureza?!...

Mas,... haverá tempo?...

ju rigoni (2002)


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Do Cultivo




Planto a roseira neste verso...
Rego o talvez, neste outro...
Aqui, ela brota... Sem viço.

Tento esconder minha ânsia,
mas tudo se veste de esperas...

...

E quando perco a esperança
ergue aos meus olhos um botão...

Protegido por espinhos,
eis que se abre ao sol.

Uma rosa
em muito se parece
com um verso...

Para muitos,
é todo um poema...

ju rigoni (2000)


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Certeza

.
.
Não sei dizer o que você procura...
Menos ainda o que encontra
em minhas linhas e entrelinhas...

Mas, seja lá o que for
não é meu...
Encontrou?
É seu.

Só pode ser seu...

ju rigoni (2008)


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Apertos

.
.
Pelos nós dos dedos

curvados sobre o teclado

escorrem os dados do tempo.


Nódoas refletidas no espelho

e na tela...


Nós,...

nós e os medos...

ju rigoni (2009)


N.A. Atualizando os blogues para mantê-los ativos.
Entretanto, devido aos compromissos de
trabalho, ainda sem disponibilidade de tempo
para visitar os amigos com regularidade.
Bjs e inté!


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Sêmen


Há muitas vidas
em seus pensamentos…
Fluídos que extrapolam
o volume do vidro.
Caneta ao alcance,
destila destinos…
E o papel companheiro
é abrigo, é porto,
é umbigo… e cordão.

Enquanto escreve
mais vida tem…
Mais vidas lhe vêm…

Ao reunir pensamentos,
em prosa ou em verso,
sentidos em alerta,
no prazer do espasmo
outra vez semeia
o espargir congesto…
O útero estranho aquiesce
à perene prenhez..
E cresce,… cresce,… cresce…

À insônia serve
o criado-(nem tão)mudo…
Livros, relógio, água, aspirinas,
caneta, papel…

O amanhã transborda
do presente passado…
Mais e mais histórias
paridas pelas histórias
das histórias recém-nascidas.

Amanhece…
Ainda desperto,
ele escreve… escreve… escreve…

ju rigoni (2006)


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Jejum

.
.

À frente o papel em branco:
olhamo-nos, medimo-nos...
Estranhamo-nos.

Tenho fome de palavras...
Mas elas não me vêm.
Significantes e significados se foram,
como o filho ingrato que se evadiu
e à casa não torna.
Por que?, eu me pergunto.

(...)

Por que tantas vezes
fogem de mim as palavras?
Que fiz eu?...

ju rigoni (1979)


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O Todo em Parte



Não se é sempre a mesma pessoa...
Contradizer-se, natureza do ser humano, -
nasceu para reagir aos sentimentos...
Ele é o que cada momento lhe reserva...

Não há nada mais controverso
que o homem contemporâneo...
Mal aprende a andar, falar, pensar,
e declara guerra a si mesmo...

Nasceu para enfrentar
a poderosa força do não;
tentar, tentar e tentar...
Escorregar, cair, levantar;
esperar...
Retroceder para avançar.

Mirar e atingir
o alvo...
para estar a salvo
de si mesmo.

ju rigoni (2001)

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Grau



.
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Se a vista já não nos alcança


salva-nos a imaginação...



Lá dentro,


tudo é possível...



ju rigoni (2000)



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Algum Bálsamo




Debruçada à janela,
ouço a conversa da passarada, -
o alerta do bem-te-vi,
a pirraça do quero-quero...

Sem controle-remoto,
assisto ao divino
e colorido programa, -
alguma festa
para os meus olhos cansados...

Pequenos grandes agrados
da natureza...
Criaturinhas frágeis, indefesas, -
de descomunal beleza.

Procuram o que lhes sobra...
Pequenas ilhas de verde
no mar de cimento e telhados
que, desordenadamente, ocupam
o lugar onde, no passado,
só havia árvores,
flores, frutos,... ninhos.

Lá, um pouco mais distante,
à beira da lagoa,
estão as garças
e suas pernas fininhas.
Imóveis, aparentemente distraídas,
como a esperar um salvador, -
alguém que lhes devolva
orla e águas despoluídas...

Subitamente, levantam vôo;
ganham altura incomum...

De lá, do alto,
podem ver o predador
no tamanho que merece...

ju rigoni (2001)

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