.
.
Sorria!
Mexa os músculos da face,
Disfarce o seu mau-humor.
Em nome da segurança,
dê adeus à privacidade,
e contenha a indignação.
Você está sendo invadido,
Você está sendo filmado, -
não há o que você faça
que já não seja sabido;
que há muito não esteja gravado...
ju rigoni (2008)
Visite também
Fundo de Mim, Dormentes, Medo de Avião.
domingo
Verticais
.
.
Palavras vestidas num pretinho básico,
que não destaca os excessos
das curvas perigosas.
Palavras em cima do salto quebrado;
em plano que ninguém vê...
Palavras de perfume inebriante, sedutor...
Palavras d e l i c i o s a s!
Maquiagem importada...
batom cor-de-rosa, -
a amenizar o negro da sombra
que aprofunda o olhar.
Ah, que esplêndido gozo,
não fossem apenas pobres palavras pobres
cheias de corpo e vazias de alma...
perdidas na névoa do horário nobre...
ju rigoni (2002)
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Palavras vestidas num pretinho básico,
que não destaca os excessos
das curvas perigosas.
Palavras em cima do salto quebrado;
em plano que ninguém vê...
Palavras de perfume inebriante, sedutor...
Palavras d e l i c i o s a s!
Maquiagem importada...
batom cor-de-rosa, -
a amenizar o negro da sombra
que aprofunda o olhar.
Ah, que esplêndido gozo,
não fossem apenas pobres palavras pobres
cheias de corpo e vazias de alma...
perdidas na névoa do horário nobre...
ju rigoni (2002)
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Lixo
.
Nada lhe escapa...
Tubarões, enguias, sardinhas,
peixinhos ornamentais,
arraias, estrelas, baleias,
polvos, camarões, golfinhos,...
Sacos plásticos, latinhas,
seringas, camisinhas usadas,
embarcações naufragadas,
armas, drogas, defuntos,
mensagens engarrafadas,
Nem o mar dentro do mar...
Pesca tudo, tudo, tudo...
nada escapa à sua rede...
Nem ele,
pescador pescado.
ju rigoni (1998)
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Nada lhe escapa...
Tubarões, enguias, sardinhas,
peixinhos ornamentais,
arraias, estrelas, baleias,
polvos, camarões, golfinhos,...
Sacos plásticos, latinhas,
seringas, camisinhas usadas,
embarcações naufragadas,
armas, drogas, defuntos,
mensagens engarrafadas,
Nem o mar dentro do mar...
Pesca tudo, tudo, tudo...
nada escapa à sua rede...
Nem ele,
pescador pescado.
ju rigoni (1998)
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... No Bico.
.
É um amor de fibra!
Ramos, arbustos,
palha, folhas...
Amor de visgo!...
Vez em quando musgo,
quando em vez, barro,
resina...
Amor cheio de penas...
ju rigoni (1998)
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É um amor de fibra!
Ramos, arbustos,
palha, folhas...
Amor de visgo!...
Vez em quando musgo,
quando em vez, barro,
resina...
Amor cheio de penas...
ju rigoni (1998)
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Partos
.
.
A língua me unta,
besunta...
E
s
c
o
r
r
e
g
o
para dentro...
Frenético,
prazeroso,
incontrolável movimento
em direção ao ponto final
que dá à luz o recomeço...
ju rigoni (1997)
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A língua me unta,
besunta...
E
s
c
o
r
r
e
g
o
para dentro...
Frenético,
prazeroso,
incontrolável movimento
em direção ao ponto final
que dá à luz o recomeço...
ju rigoni (1997)
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Bicho Papão
.
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Criança,
não repita o que eu digo!
Jamais faça o que eu fiz ou faço.
Não queira saber o que vi ou vivi...
Tire os seus olhos daqui!
Não é hora de ler o que escrevi.
Acredite,...
há um tempo para cada palavra...
ju rigoni (2007)
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Criança,
não repita o que eu digo!
Jamais faça o que eu fiz ou faço.
Não queira saber o que vi ou vivi...
Tire os seus olhos daqui!
Não é hora de ler o que escrevi.
Acredite,...
há um tempo para cada palavra...
ju rigoni (2007)
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sábado
Jorge
Salva, Jorge,
o homem cuja mão,
ao invés da lança,
recorre à pena...
Salva, Jorge, santo Jorge,
o homem de si mesmo,-
salva o homem
do seu próprio dragão.
Ilumina, Jorge,
com a luz da lua santa,
as tantas luas profanas
que, em tinta e ponta,
em passos de dança,
buscam a paz
no front do papel...
Vira, Jorge,
essa lua virada
no fogo
da nova inquisição...
Olha, daí,
o nosso azul nefasto,
que um dragão sentado
e ainda mais bravo,
cospe fogo por aqui.
Salva, Jorge,
os que invocam a tua proteção
e te amam
tanto quanto às palavras
a ferro e fogo caladas...
Salva-nos, Jorge!
Salve, Jorge!
ju rigoni (Anos 70)
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domingo
Espelhos Meus
.
.
Meus espelhos estão de mal comigo...
Isso é cara que me apresentem?!
Cristal ou vidro, perderam o respeito!
Em tempos idos não se atreveriam tanto...
E não adianta trocá-los por outros;
hoje, todos têm o mesmo defeito...
ju rigoni (2000)
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Meus espelhos estão de mal comigo...
Isso é cara que me apresentem?!
Cristal ou vidro, perderam o respeito!
Em tempos idos não se atreveriam tanto...
E não adianta trocá-los por outros;
hoje, todos têm o mesmo defeito...
ju rigoni (2000)
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Aflição
.
.
Nunca sei se violentas
ou violentadas
as palavras que vem à luz
depois das tormentas.
Nunca saberei a distância
entre a espera e a esperança...
Ou quão grande é a montanha
que a minha fé pode remover...
ju rigoni (1999)
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Nunca sei se violentas
ou violentadas
as palavras que vem à luz
depois das tormentas.
Nunca saberei a distância
entre a espera e a esperança...
Ou quão grande é a montanha
que a minha fé pode remover...
ju rigoni (1999)
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Amarelo-Admiração
Mentes fantásticas aquelas!...
Tantas vezes a escrever
sob a luz de lampiões.
Ou de velas...
Calorosas chamas
a reesculpir corpos de cera;
papel e pena aliviando a sede;
dando pulso, emoção, -
vida! -,
ao que um dia foi
nada mais que sombras
na mais aflitiva das paredes...
ju rigoni (1987)
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Tantas vezes a escrever
sob a luz de lampiões.
Ou de velas...
Calorosas chamas
a reesculpir corpos de cera;
papel e pena aliviando a sede;
dando pulso, emoção, -
vida! -,
ao que um dia foi
nada mais que sombras
na mais aflitiva das paredes...
ju rigoni (1987)
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